Vamos falar de um tempo em que não havia Brasil nem brasileiros, como os entendemos hoje.
Há milhares de anos, diversos povos indígenas viviam nas terras que formam o Brasil atual. Na Europa, no século XV, o reino de Portugal avançava pelo mar em busca de riquezas e de aventuras. Na África, povos muito antigos entravam em contato com os europeus. E, no século XVI, a história de toda essa gente acabou por se misturar, dando origem a uma nova sociedade na América.
Hoje, todos sabemos que moramos num país chamado Brasil e que somos brasileiros. Nosso país fica na América do Sul. Todos os brasileiros falam a mesma língua. Mas por que os brasileiros, que moram na América do Sul, falam a mesma língua de quem nasce
em Portugal, que fica na Europa?
A Europa na Época Moderna
Para começar, vamos conhecer um pouco melhor o Portugal e a Europa de uma época em que os europeus nem imaginavam que houvesse tanta terra do outro lado do oceano Atlântico.
No século XV (1401-1500) - há cerca de quinhentos anos, portanto - a Europa passava por grandes transformações nos modos de viver e pensar de seus habitantes. Essas transformações eram tão marcantes que os próprios europeus daquele tempo consideravam que estavam vivendo em uma nova era: a Época Moderna. Que transformações eram essas e que tipo de novidades traziam? Após séculos de insegurança, provocada principalmente por guerras que haviam devastado a Europa, os europeus podiam deixar os castelos fortificados sem medo de serem feridos e mortos. Com o final das guerras, também diminuíam os problemas da fome e das pestes. A produção agrícola crescia e, com ela, a população européia.
O mercantilismo
O comércio com o Oriente, dominado pelos italianos e também pelos árabes, trazia lucros enormes. Moedas de ouro e prata circulavam pelo mar Mediterrâneo. Os europeus entravam na chamada Era Mercantil. As medidas tomadas pelos governos da época tinham como objetivo aumentar a riqueza do país, o que, naqueles tempos, significava acumular ouro e prata por meio da atividade comercial. Isso ficou conhecido como política mercantilista. Os reis da Época Moderna concentraram um poder absoluto em suas mãos. Associando-se comercialmente com os burgueses e militarmente com os nobres, tratavam de estimular tudo que trouxesse riqueza aos cofres reais.
A chegada dos europeus à América foi uma das etapas do crescimento comercial europeu, que era movido pela necessidade de aumentar a reserva de metais preciosos e, principalmente, pelos lucros que vinham do comércio de especiarias e artigos de luxo que chegavam do Oriente. Mas isso foi também um salto para o desconhecido. Nessa grande façanha estavam misturados a cobiça, o temor a Deus e o espírito aventureiro.
A conquista dos mares
Foi aí que Portugal entrou nessa História. No século XV, o comércio no mar Mediterrâneo era controlado pelos italianos. E, vindos do Oriente, os turcos avançavam em direção à Europa. Ficava cada vez mais difícil comerciar com o rico Oriente pelas rotas do Mediterrâneo. A saída era navegar pelo oceano Atlântico, conhecido na época como “Mar Tenebroso”.
Os portugueses foram os primeiros nessa expansão marítima. Encontravam-se em vantagem porque, além do desenvolvimento de seus portos e de sua navegação, já contavam com uma monarquia forte e capaz de arrecadar muitos recursos. Logo no início do século XV, eles fizeram suas primeiras viagens, conquistando a região africana de Ceuta, em 1415. A partir de então conquistaram várias ilhas do oceano Atlântico e pontos do litoral da África, que lhes forneceram escravos para as primeiras plantações de cana-de-açúcar nessas ilhas do Atlântico.
Em 1488, o navegador português Bartolomeu Dias contornou o cabo das Tormentas, no extremo sul da África, que daí em diante teve seu nome mudado para cabo da Boa Esperança. Dez anos depois, outro português, Vasco da Gama, seguiu o caminho aberto por Bartolomeu Dias e conseguiu finalmente alcançar, pelo mar, as Índias das especiarias e do rico comércio. No entanto, foram os espanhóis que chegaram primeiro à América. Financiado pelos reis da Espanha, Cristóvão Colombo partiu com três caravelas na aventura de contornar a Terra e chegar à Índia. Para a época, isso foi uma ousadia, pois não se tinha certeza de que a Terra fosse mesmo redonda. No dia 12 de outubro de 1492, Colombo encontrou terras que julgou ser a Índia. A conclusão de que se tratava de um novo continente foi do navegador e cartógrafo Américo Vespúcio. Por isso, passou-se a chamar o novo mundo de América.
Os europeus foram descobrindo e conquistando novas terras, durante os séculos XV e XVI.
A conquista da América
Quando os europeus chegaram, o continente que hoje chamamos de América já estava ocupado há milhares de anos e contava com uma população indígena muito grande e variada - os índios das Américas, ou ameríndios. Esses habitantes primitivos das Américas viviam, na sua maioria, em comunidades tribais. Porém, nas regiões dos atuais México e Peru, viviam duas sociedades mais adiantadas e estabelecidas como impérios: a asteca e a inca, respectivamente. Elas se constituíam num Estado organizado e tinham técnicas desenvolvidas de produção.
Suas cidades apresentavam construções grandiosas, como templos e palácios, cujas ruínas podem ser visitadas.
Socialmente, existia desigualdade: a população vivia em comunidades, mas devia prestar serviços ao imperador e pagar muitos tributos.
No início, o contato entre os europeus e as populações nativas foi marcado pelo estranhamento. Durante séculos, cada povo que agora estava entrando em contato havia desenvolvido sua própria história e criara maneiras completamente diferentes de viver e pensar. Isso, então, só podia causar estranhamento nos dois lados. Para os europeus, ver homens e mulheres nus era tão diferente quanto era para os índios ver aquela gente que vestia roupas pesadas, usava barba e montava animais desconhecidos, pois na América não havia cavalos.
Por sua vez, os europeus não entendiam por que o ouro não significava para os povos da América a mesma coisa que significava para eles. A cobiça pelo ouro - tão natural para os europeus - era incompreensível para os ameríndios. A conquista violenta e a ocupação do território pelos europeus tratariam de demonstrar quanto eram diferentes essas duas culturas.
Para dominar os Impérios Inca e Asteca, os espanhóis realizaram uma verdadeira guerra de conquista. Muitas pessoas morreram, e a maioria dos sobreviventes foi submetida a trabalhos pesados nas minas e plantações espanholas da América. O contato com os portugueses não foi menos devastador.
A sensação de estranhamento deu lugar ao medo, do lado dos nativos, e à dominação, por parte dos conquistadores. Ao longo do século XVI, verificou-se um dos maiores genocídios da História. Isso aconteceu não só pela violência da guerra de conquista mas pelo próprio contato com o homem branco, com suas doenças, seus hábitos e costumes. A gripe - para a qual o organismo dos povos americanos não tinha defesa - , assim como o álcool, fez milhares de vítimas.
Dessa enorme tragédia, alguma coisa nova foi se formando. Alguns historiadores já disseram que 1492, ano da descoberta da América por Colombo, deveria ser o início da Época Moderna. Desde então, alargaram-se as fronteiras do mundo para ameríndios e europeus.
A América, o nosso continente, é o produto histórico desse encontro violento. É por causa desse encontro que nós, brasileiros, falamos português e temos uma enorme dívida a resgatar com os povos indígenas que, ainda hoje, mantêm sua cultura em território brasileiro.
Professo então quer dizer que se os navios afundasse o ouro ia junto?os outros navios não pegavam ?Pediam ser mais espertos não?
ResponderExcluirOi Ana Luiz, até hoje tem gente interessada em encontrar alguns desses navios, mas o oceano Atlântico é grande...
ExcluirSaca só professor:
ResponderExcluirA História da poesia no Brasil
Os versos, além de forma sublime da escrita, facilitam a memorização: nas obras do passado, a escrita era prescindível. E o foi até o século XVIII, quando explodiu finalmente com o surgimento dos romances ingleses.
Vinculada à escrita por sua extensão, a prosa só se tornou hegemônica com o surgimento e a consolidação do jornalismo. No Brasil a introdução da tipografia se deu em 1808, com a chegada da família real. Entre 1843 e 1844, devido à sua proliferação e à difusão dos jornais, surgiu no Brasil o romance.
Certamente o desenvolvimento literário no Brasil está relacionado às contingências econômicas, políticas e sociais do país. Com os três séculos de subordinação colonial e a escravidão, nos interrogamos acerca de quando se iniciou uma literatura realmente nacional, que requereria a presença do povo não apenas como personagem, mas também como autor e público, fazendo e consumindo a arte que produz.
O Brasil deixou de ser colônia em 1822 e o período colonial da nossa literatura abrangeu o Quinhentismo, o Barroco e o Arcadismo.
14 de Março, o dia nacional da Poesia
O Dia Nacional da Poesia é comemorado em homenagem ao nascimento de Castro Alves, em 14 de março de 1847. Poeta do romantismo, ele foi um dos maiores nomes da poesia brasileira. Suas obras que mais se destacaram foram: Os escravos (no qual há o seu famoso poema Navio Negreiro) e Espumas flutuantes, cujas características principais são a valorização do amor e a luta por liberdade e justiça. Há outros nomes importantes da poesia brasileira: Alberto de Oliveira, Gonçalves Dias, Raimundo Correia, Olavo Bilac, Casimiro de Abreu, Cecília Meireles, Jorge de Lima, Ferreira Gullar, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade e muitos outros.
O BRASIL
ResponderExcluirRenato Sêneca
Perguntei ao céu tão lindo,
— Por que é todo cor de anil?
Ele me disse, sorrindo:
— Eu sou o céu do Brasil!
Perguntei ao Sol, então,
A causa de tanta luz.
— Sou a glorificação
Da Terra de Santa Cruz!
Depois perguntei à Lua:
— Por que noites de luar?
— É para enfeitar a tua
Grande Pátria à beira-mar.
Perguntei às claras fontes:
— Por que correis sem cessar?
— Nós brotamos destes montes
Para a terra fecundar!
Então eu disse à floresta:
— És tão bela, verde inteira!
Ela respondeu em festa:
— Sou a mata brasileira!
Perguntei depois às aves:
— Por que estais a cantar?
— Cantamos canções suaves
Para tua Pátria saudar.
Céu e sol, luar e cantos,
Florestas e fontes mil
Enchem de eternos encantos
És minha Pátria, — o Brasil!
Legal Ana, continue usando seu tempo livre para conhecer coisas legais e entender o mundo em que vivemos. Um abraço.
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